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domingo, 11 de novembro de 2012

Caetano, Ivete, Chico e Gaby Amarantos na disputa pelo Grammy Latino

Os prêmios do Grammy Latino serão entregues na próxima quinta-feira em Las Vegas, com os brasileiros Chico Buarque, Ivete Sangalo e Gaby Amarantos na disputa, em uma celebração à música ibero-americana que homenageará o cantor e compositor Caetano Veloso.
Entre os que competem pelo gramofone dourado destacam-se o dominicano Juan Luis Guerra e a dupla pop mexicana Jesse & Joy, como favoritos, além de Ivete Sangalo e Caetano Veloso, o colombiano Juanes, a mexicana Carla Morrison e o cubano Arturo Sandoval, com quatro indicações cada um.
A brasileira Gaby Amarantos concorre na categoria de novos artistas com as argentinas
Deborah de Corral e Rosario Ortega, o cubano Elain, os venezuelanos Ulises Hadjis e Los Mesoneros, o espanhol Juan Mágan, os colombianos do Piso 21, os mexicanos de 3BallMTY e a norte-americana Ana Victoria.
Artistas consagrados também estarão na disputa pelo Grammy deste ano, como Chico Buarque, Alejandro Sanz, David Bisbal, José Luis Perales, Daddy Yankee, Don Omar,Rubén Blades, Chuchito Valdés e Shakira, esta por seu DVD "Ao Vivo de Paris".
Na noite de gala da 13ª edição do Grammy Latino atuarão Sanz, Juan Luis Guerra, Jesse & Joy, a mexicana Daniela Romo, a brasileira Lila Downs e o rapper cubano-americano Pitbull, entre outros.
Apresentada pelo ator chileno Cristian de la Fuente e sua colega mexicana Lucero, a cerimônia será realizada no hotel Mandalay Bay em Las Vegas e transmitida ao vivo a partir das 19H00 locais (00H00 de Brasília de sexta-feira).
Na noite anterior, Caetano Veloso, vencedor de dois Grammy e oito Grammy Latinos, será homenageado como Pessoa do Ano 2012 da Academia Latina da Gravação, com um show tributo e um jantar privado no hotel Mandalay Bay.
O baiano de 69 anos, que possui mais de 40 discos gravados, é um dos idealizadores do Tropicalismo no Brasil e autor de discos clássicos como "Tropicália", "Fina Estampa" e "Noites do Norte".
A cerimônia do ano passado homenageou a cantora e compositora colombiana Shakira. Já receberam esta distinção em edições anteriores Plácido Domingo, Gloria Estefan, Julio Iglesias e Carlos Santana.

Fonte: YAHOO

Entrevista - Cacá Diegues: “Quero retratar a vida dos gays nos morros”

Anda difícil acompanhar a agenda de Cacá Diegues. Há 15 dias, o cineasta começou a gravar depoimentos para um documentário sobre os últimos 20 anos do cinema brasileiro, provisoriamente intitulado ’20′. “Já fiz 33 entrevistas, desde Nelson Pereira dos Santos, passando por Walter Salles — fiz as tomadas na Central do Brasil, claro —, Claudio Assis, Fernando Meirelles e Daniel Filho”, afirma ele, rápido no gatilho, à nossa Época desta semana. Aos 72 anos, Cacá adianta outra novidade, a produção de ‘Favela Gay’, mais um filme da série 5X (Favela, Agora por Nós Mesmos e Pacificação), sobre a homossexualidade nas comunidades.
Qual o ponto de partida do documentário sobre o cinema brasileiro?
A década de 90, que foi um período de grave crise financeira no país e de altíssima inflação. A produção de cinema no Brasil caiu dramaticamente e fazer um filme se tornou um ato de heroísmo.O governo Collor confiscou toda a reserva particular e extinguiu a Embrafilmes, o Concine, a Fundação do Cinema Brasileiro, o Ministério da Cultura e suas leis de incentivos. Era praticamente impossível fazer cinema. Pego depoimentos dos cineastas que faziam de tudo para realizar um projeto. Com a saída de Collor e a entrada de FHC, o cinema voltou às produções com a Lei do Audiovisual. Foi quando começamos a falar na ‘retomada”.
E como vê a situação atual?
As escolas de cinema são boas, temos uma TV muito poderosa e uma indústria de publicidade que prepara bem os lançamentos. Estamos num momento maravilhoso, com até 20 estreias num curto período de tempo, mas claro, nem toda são ótimas. O que falta é os incentivadores compreenderem que precisamos de infra-estrutura e não de favores eventuais. Queremos salas grandes, presença na TV e na Internet. Evito usar o termo ‘indústria’ porque nossa economia é frágil e não está consolidada. A ‘farra’ pode acabar de uma hora para outra. Mas, agora, acredito que temos um ás na manga: a ministra da Cultura Marta Suplicy. Pela primeira vez temos alguém com poder político no governo e, se ela for no rumo certo, estaremos bem.
Você está no ‘mercado’ desde a criação do Cinema Novo, na década de 60. Como se renova?
Gosto de cinema e de vê-lo progredindo. Sou cineasta 24 horas, sete dias na semana e, vez ou outra, pego uma câmera e faço um filme. Procurar novidades me rejuvenesce. 5 x Favela, Agora Por Nós Mesmos foi uma maneira de conhecer essa evolução, essa geração que existe hoje na cultura e no cinema brasileiro. Não poderia deixar passar em branco esses meninos com tantas ideias novas. Meu papel foi derrubar esse muro que existe entre o asfalto e a favela. Desde os anos 90, faço projeção de filmes em ONGs como a CUFA, o AfroReggae e o Nós do Morro, e descobri a primeira geração de cineastas moradores de comunidades.
E como será a continuação da série 5X?
O Rodrigo Felha (um dos diretores descoberto pela CUFA) me propôs um projeto de uma originalidade fantástica: fazer o terceiro filme da série com o tema ‘Favela gay’. Já batemos o martelo e vamos começar a gravar no início do próximo ano. Queremos retratar a vida dos gays que vivem nos morros, mas homofobia existe em todo lugar.

Fonte: Revista Época

sábado, 10 de novembro de 2012

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Agora é oficial: Microsoft inicia migração do MSN para Skype

São Paulo – O Skype anunciou nesta terça-feira, 06, que deu início à migração do seu serviço com o Messenger, popularmente conhecido como MSN , com o objetivo de unificar os dois programas.
A informação de que os dois serviços seriam unificados já havia sido antecipada pela INFO, após entrevista com Piero Sierra, diretor de gestão de programa no Skype.
Segundo o Skype, a Microsoft irá aposentar o Messenger em todos os países no primeiro trimestre de 2013. A exceção será a China continental que continuará com o serviço disponível.
A partir de agora usuários do MSN poderão migrar todos os seus contatos para o Skype e utilizar o serviço também para a troca de mensagens instantâneas, além das chamadas em vídeo com os contatos do Messenger.
As mudanças no Skype eram aguardadas há mais de um ano, quando a Microsoft concluiu a compra do serviço, e vinham sendo preparadas para o lançamento do novo sistema Windows 8, realizado no último dia 26 de outubro.
Os primeiros sinais desta mudança surgiram com o lançamento da versão Skype 6.0 para Mac e Windows, que permitiu a conexão ao Skype a partir de uma conta da Microsoft.
A partir de agora, os usuários que baixarem (ou atualizarem) a versão mais recente do Skype, deverão se conectar ao serviço com a sua conta da Microsoft (login do MSN e Hotmail) e informar se já possuem uma conta no Skype. Caso ainda não tenham, será necessário criar uma.
A migração dos contatos do Messenger será feita automaticamente após este primeiro acesso e todas as contas (Skype e MSN) serão unificadas em um único programa.
Desta forma, os usuários poderão utilizar recursos como chamadas com vídeo em celulares, compatibilidade com iPad e tablets Android, chamadas com vídeo para amigos do Facebook, compartilhamento de telas e chamadas em grupo.
O Skype promete, ao longo dos próximos meses, ajudar os usuários na transição para o novo programa unificado. Além disso, até o final deste ano, a empresa promete trazer novidades para o serviço.
*Atualização em 06/11 às 18h24: Com relação ao uso unificado do Skype e MSN em dispositivos móveis, como smartphones e tablets, a empresa divulgou o seguinte comunicado:
Nas próximas semanas, os usuários do Messenger poderão usar a mesma conta da Microsoft para se conectar ao Skype em seus celulares e tablets, para acessar mensagens instantâneas, chamadas com vídeo, compartilhamento e outros.
O Messenger é compatível com iPhones, celulares Android, iPads, tablets Android, Kindle Fires, dispositivos Windows Phone 8 e outros.
Vamos aposentar as experiências do Messenger Mobile no próximo ano. Não temos mais detalhes sobre isso neste momento.

Fonte: REVISTA EXAME

domingo, 4 de novembro de 2012

Governo já teme falta de combustível, diz jornal

São Paulo — Existe risco de algumas regiões do país ficarem sem combustíveis no fim do ano. Segundo a Folha de S.Paulo, o governo já trabalha num plano de emergência para evitar o desabastecimento.
A Folha aponta três razões para esse possível colapso no fornecimento de combustíveis: o aumento no consumo, que deve chegar a 30 bilhões de litros neste ano; a falta de capacidade de produção no país; e problemas na infraestrutura de armazenamento e distribuição.  
O plano para evitar o desabastecimento estaria sendo negociado em reuniões entre o Ministério de Minas e Energia, a Agência Nacional do Petróleo, a Petrobras, as distribuidoras e os produtores de etanol. A ideia é ampliar o número de caminhões e a capacidade dos tanques de armazenagem nas áreas críticas.
A revista Veja desta semana aponta que, em 2013, o Brasil deve perder a autossuficiência em petróleo, conquistada em 2006. A razão para isso estaria em duas políticas do governo. A primeira é o incentivo à venda de carros novos, que elevou o consumo. A outra é o congelamento de preços imposto à Petrobras para conter a inflação. 
Na análise da Veja, a Petrobras teve sua capacidade de investimento prejudicada pelo congelamento. Como a empresa passou a investir menos, a produção de petróleo caiu. A revista lembra que, há um mês, seis estados das regiões Sul e Norte ficaram temporariamente sem gasolina.

Fonte: Exame

Carne artificial? "Impressora 3D produzirá carne saudável"

São Paulo – As fazendas de gados estão com os dias contados. Pelo menos para Andras Forgacs, o CEO da Modern Meadow. Ele trabalha no desenvolvimento de uma impressora diferente: que, ao invés de imprimir, vai usar uma tecnologia 3D para produzir carnes. “Com muitas proteínas, inclusive”, diz.
Forgacs captou 350 mil dólares para desenvolver uma impressora 3D capaz de criar carne artificial a partir de células animais. O dinheiro do investimento vem da Thiel Foundation, empresa do multimilionário Peter Thiel, cofundador do sistema de pagamentos online PayPal.
O projeto ainda não tem data de lançamento. Mas quando sair, acredita Forgacs, as pessoas poderão usá-la para imprimir filés de desenho. Primeiro, a carne tomaria forma na tela de um computador. Depois, passaria ao mundo real com a aplicação de proteínas em estruturas de tecidos animais na própria impressora.
Quando nasceu a Modern Meadow?
A startup foi fundada na primavera de 2011. Estamos nesse novo projeto há aproximadamente um ano, mas os membros da nossa equipe já trabalham juntos há quase 10 anos. Por exemplo, os nossos cientistas inventaram a bioimpressão. Foi quando eu e meu irmão cientista Gabor Forgacs fundamos a primeira startup, a Organovo, para comercializar essa nova tecnologia para a medicina.
Como os recursos da bioimpressão podem ajudar no desenvolvimento da impressora 3D de carne?
Nossa equipe inventou a bioimpressão em 3D. Por isso, sabemos seus pontos fortes e também suas limitações. Sabemos que ela funciona muito bem em pequena escala, mas sua produção não foi testada em larga escala ainda. Por isso, fazemos vários testes simultaneamente para melhorar a bioimpressão e construir uma impressora 3D de carne que possa alcançar muita gente pelo mundo.
A impressão 3D de carne é o principal projeto de vocês?
O nosso foco é a aplicação de métodos de engenharia de tecidos para desenvolver novos biomateriais - couro e carne são apenas exemplos. Embora já tenhamos demonstrado a viabilidade de impressão 3D de carne em pequena escala, o nosso primeiro produto comercial vai ser o couro.Quando a impressão de carne em 3D será comercializada? 
Isso vai demorar muito mais tempo para acontecer do que a impressão de couro por várias razões. A primeira delas é porque o couro (pele) é tecnicamente mais simples para reproduzir do que a carne, que é um músculo. Os obstáculos para regularizar a impressão 3D de couro também são bem menores do que a carne. Além disso, o consumidor irá aceitar com mais rapidez comprar o couro do que comer uma carne produzida por impressão.
Que recursos exatamente a impressão de carne em 3D exige?
Essa é uma pergunta difícil de responder porque são muitos detalhes. Mas, basicamente, a impressão de carne em 3D requer técnicas de cultura de células (que estão sendo desenvolvidas), biomontagem (baseada em métodos de engenharia de tecidos), além da maturação dos tecidos em biorreatores.
O que falta para finalizar a impressora 3D de carne?
Falta muito. Ainda estamos na fase de desenvolvimento do protótipo. Nosso foco é, durante o próximo ano, testar a tecnologia para depois produzi-la em escala. O nosso foco é principalmente o couro, mas também iremos desenvolver a carne em um horizonte distante.
O produto da impressora 3D fornecerá as mesmas proteínas da carne animal?
Esperamos que sim. Na verdade, a ideia de que as pessoas possam imprimir a própria carne também daria o poder de controlar a composição do produto. Nós poderíamos colocar ainda mais ferro, vitaminas, ômega-3 os ácidos graxos no alimento, por exemplo. Mas a composição nutricional da carne de cultura é algo que ainda vamos estudar de perto.

Fonte: Exame

Corrupção no Brasil tem origem no período colonial, diz historiadora

O motorista que oferece uma cerveja para o guarda não multá-lo. O fiscal que cobra uma 'ajuda' do comerciante. O ministro que compra apoio político. A corrupção está enraizada em vários setores da sociedade brasileira. E nada disso é recente, segunda a historiadora Denise Moura, que diz que a prática chegou junto com as caravelas portuguesas.
'Quando Portugal começou a colonização, a coroa não queria abrir mão do Brasil, mas também não estava disposta a viver aqui. Então, delegou a outras pessoas a função de ocupar a terra e de organizar as instituições aqui', afirma a historiadora.
'Só que como convencer um fidalgo português a vir para cá sem lhe oferecer vantagens? A coroa então era permissiva, deixava que trabalhassem aqui sem vigilância. Se não, ninguém viria.'
Assim, a um oceano de distância da metrópole, criou-se um clima propício à corrupção, em que o poder e a pessoa se confundiam e eram vistos como uma coisa só, de acordo com Denise, que é professora de História do Brasil na Unesp.
No entanto, a historiadora deixa claro que a corrupção não é uma exclusividade do Brasil, é só uma peculiaridade da formação dessa característica no país.
'Temos enraizado uma tradição muito forte de poder relacionado ao indivíduo que o detém', avalia Denise. 'E isso até hoje interfere na maneira como vemos os direitos e deveres desse tipo de funcionário.'
Propina
No Brasil colônia, assim como hoje, a corrupção permeava diversos níveis do funcionalismo público, segundo a pesquisadora. Na época, atingia desde o governador, passando por ouvidores, tabeliães e oficiais de justiça, chegando até o funcionário mais baixo da Câmara, que era uma espécie de fiscal de assuntos cotidiano.
A historiadora conta que documentos mostram esse funcionário protegendo ou favorecendo um vendedor mediante propina.
Se a corrupção encontrou um terreno fértil nas instituições políticas do litoral, a situação era ainda mais grave na colonização de regiões como Minas Gerais, Goiás e o sul do país.
Ainda mais longe dos olhos da coroa, esses locais só eram acessíveis após meses de caminhada - o que exigia ainda mais incentivos para os 'fidalgos-desbravadores'.
'A coroa portuguesa estimulava pessoas e dizia: 'vão para o interior e podem mandar à vontade por lá', na tentativa de garantir a soberania do império com alguém morando no local', diz Denise.
A escravidão, segundo a historiadora, também contribuiu para o desenvolvimento da corrupção no país. Isso porque era a única relação de trabalho existente, deixando o trabalho livre sem qualquer tipo de norma para regê-lo.
Essa realidade criava um ambiente vulnerável, em que não era claro, por exemplo, os deveres de um guarda municipal - abrindo, de novo, possibilidade de suborno e outros tipos de corrupção.

TEXTO: BBC BRASIL

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Senhores dos Terreiros

O papel de protagonista do candomblé, religião que desembarcou no Brasil – na baiana Salvador, mais especificamente – nos séculos XVIII e XIX, sempre coube à mulher. Por ser cultivada em espaços domésticos, essa crença se tornou um ofício feminino por uma razão, entre outras, muito simples: como permaneciam em casa enquanto os homens iam buscar fora dela o sustento da família, elas tinham mais condições de estabelecer contato com as divindades. Como sacerdotisas, as mulheres davam as cartas nos terreiros. Esse reinado, porém, tem passado para as mãos masculinas de forma cada vez mais acelerada. O fenômeno é nacional e, a continuar nesse ritmo, em alguns anos, eles serão os donos do axé até na Bahia, Estado que projetou para todo o País a imagem das mães de santo.
Na capital da Paraíba, por exemplo, um mapeamento dos terreiros realizado pela organização não governamental Casa de Cultura Ilê d’Osoguiã revelou que 54% das 111 casas cadastradas na cidade são dirigidas por pais e não mães de santo.
“Em dez anos, se nada for modificado, só teremos pais de santo em João Pessoa”, afirma Renato Bonfim, o fundador da ONG. Ele chegou a essa conclusão ao analisar os dados sobre a faixa etária dos pesquisados, a pouca iniciação de mulheres na religião e a expectativa de vida do brasileiro. Em outras capitais do País, como Belo Horizonte, Belém e Recife, a realidade é semelhante (leia quadro na pág. 68). Em tese de doutorado defendida no mês passado na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), Nilza Menezes, historiadora especializada em ciências da religião, verificou que em Porto Velho, capital de Rondônia, os homens dirigem mais da metade dos templos – e aqueles de maior importância – de matriz africana. Em quatro anos de pesquisa, ela levantou que 54 dos 106 terreiros existentes na cidade são liderados por pais de santo.

As mulheres, segundo os estudos da pesquisadora, trabalhavam arduamente em atividades tipicamente domésticas e femininas como limpar, cozinhar, lavar, organizar, preparar banhos de ervas, enfim, obrigações do espaço privado. E, depois de longas horas de tarefas braçais, ficavam cansadas e perdiam o interesse por atividades públicas, como jogar búzios e atender pessoas. Esse comportamento, no decorrer do tempo, as afastou de cargos de liderança e as relegou a papéis secundários, resultando em uma espécie de anonimato. “Elas vêm perdendo o espaço público de poder, uma função que as projetavam socialmente”, diz Nilza, a autora da tese. “As obrigações nas denominações de matriz africana são trabalhosas, o que representa um complicador para a mulher moderna que cuida da casa, estuda e trabalha.”
No catolicismo e entre os evangélicos as mulheres são até hoje subalternas na hierarquia religiosa. A inserção delas em posições de liderança, porém, é reivindicação antiga de uma parcela dos fiéis e tema que nunca saiu de pauta. Já entre as religiões de matriz africana, a conformidade das protagonistas de outrora desponta como um fato preocupante, na opinião dos especialistas. Há várias explicações. “Os homens estão mais dedicados do que elas”, afirma Sivanilton Encarnação da Mata, o Babá Pecê, 48 anos, que há mais de 20 responde pela Casa de Oxumaré, um dos templos de candomblé mais antigos de Salvador. Este ano, esse babalorixá só conseguiu iniciar filho de santo do sexo masculino. “Ter mais homens absorvendo o culto dos orixás explica o fato de crescer o número de sacerdotes nos terreiros”, opina o sacerdote.
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SOBERANOS
Babá Pecê (primeiro à esq.), da Casa de Oxumaré, em Salvador, só iniciou filhos de santo este ano:
"Os homens estão mais dedicados do que elas" , diz ele
Babá Pecê é também fruto dessa realidade. Ele ascendeu à liderança da Casa de Oxumaré, que é tombada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), após três sacerdotisas terem ditado o axé no local (ler à página 67) desde 1927. Por outro lado, pontua a historiadora Nilza, as mulheres ainda somam a maior parte dos fiéis das religiões afro-brasileiras e são elas que conferem às casas a imagem das “baianas” que remetem às tradições. Mas, mesmo na Bahia, as mulheres estão em xeque. “Acredito que 70% dos espaços de terreiros baianos sejam dirigidos por homens”, diz o antropólogo Júlio Braga, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), que prepara o lançamento do livro “Candomblé – A Cidade das Mulheres, e dos Homens”.
Mães de santo como Stella de Oxossi e Carmem do Gantois, ambas de Salvador, ainda são mais representativas e têm maior visibilidade política do que seus pares do sexo oposto. No entanto, quanto mais afastado da capital for o terreiro, maior será o número de homens no topo da hierarquia, segundo Braga. Babalorixá do Ilê Axé Oyá, ele diz que a mídia e os antropólogos têm sido responsáveis pela maior visibilidade das mulheres na religião em detrimento dos homens. “Qualquer coisa que se faça na Bahia sobre candomblé são as mães de santo as requisitadas”, afirma. Mas a crescente força masculina nos terreiros é inegável. O candomblecista Bonfim, da Casa de Cultura de João Pessoa, que é axogun da casa de Mãe Tucá, aponta para o fato de os homossexuais estarem ocupando, inclusive, o espaço das mulheres nos rituais das religiões afro-brasileiras. “Eles usam paramentos femininos próprios para a proteção dos seios, por exemplo, algo que não deveria ser feito”, diz ele.
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CULINÁRIA
Edvaldo Silva vende acarajé como parte do trabalho do terreiro
de candomblé: antigamente, a atividade cabia apenas às mulheres
Babá Pecê, da Casa de Oxumaré, tem encontrado resistência das mulheres toda vez que procura fazer com que homens dancem em cerimônias públicas – um ritual que historicamente é próprio delas. “Estou tentando mudar isso aos poucos”, afirma. Outras transformações, porém, já aconteceram. “Por exemplo, hoje aqui na Bahia, homens vendem acarajé como parte do trabalho do terreiro. Antigamente, apenas a mulher fazia isso”, relata. Criado numa família de baianas do acarajé, Edvaldo da Silva, 29 anos, assumiu o lugar da mãe e da irmã na venda da iguaria. Há um ano e meio, é ele quem comercializa a comida típica na porta da Casa de Oxumaré. “A gente tem de invadir o espaço da culinária, já que elas estão cada vez mais presentes na política do País”, diverte-se Silva. Brincadeiras à parte, é preciso evitar que a ascensão masculina relegue a mulher a postos subalternos nos terreiros, o que pode distanciá-las de vez do exercício do poder religioso e deixar apenas na lembrança a imagem de autoridade das mães de santo.
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Fonte Isto é

Daniela Mercury e Cabeça de Nós Todos fazem turnê juntos

O projeto de Daniela Mercury batizado de "Canibália", que já rendeu um CD de estúdio, um DVD e CD ao vivo, ganhará uma turnê por todo o Brasil. Nos shows, Daniela dividirá o palco com a banda "Cabeça de Nós Todos", resultado da união entre os compositores Leonardo Reis, Emerson Taquari, Mikael Mutti, Sérgio Rocha, Deco Simões e Aila Menezes.
Em estúdio há mais de um mês, a artista e o grupo estão juntos experimentando e criando uma sonoridade própria para o espetáculo. 
Um repertório especial composto por grandes clássicos da música brasileira e mais canções inéditas já estão garantidas nos shows, que terão início no dia 2 de dezembro, no Trapiche Barnabé, em Salvador.

Fonte: Jornal A tarde

Porque todos querem escola particular e universidade pública

Do maternal ao ensino médio, pais e estudantes querem as escolas particulares. Na faculdade, é o contrário. Veja o porquê:

Fonte: Revista Exame